30 julho, 2015

Colar permite experiência musical a deficientes auditivos

Por todos os lugares é comum encontrar pessoas com headphones aproveitando suas playlists. Essa experiência pode estar chegando aos deficientes auditivos. Um projeto criado por um estudante da Rhien-Waal University of Applied Sciences, na Alemanha, traz um conceito interessante para entregar vibrações musicais para quem não pode ouvir.
Com um design minimalista, do tipo que a Apple aprovaria, o protótipo chamado Corus possui um formato de C, que se adequa ao pescoço, entregando ondas de vibrações conforme a batida da música.




Você pode conferir mais fotos e detalhes do projeto no Behance de seu criador, o jovem Apiwat (Peet) Anuntrachartwong.
Redação Adnews

15 julho, 2015

Aparelhos Auditivos para crianças - criativos e divertidos

No bullying da escola, tudo o que é diferente entra na roda da gozação, incluindo óculos, aparelhos ortodônticos e auditivos. Entre uma piada e outra, o britânico Freddie Ivermee, 4, e a filha de uma amiga da família tinham dificuldades para se acostumarem a usar o aparelho auditivo na escola. Até que Sarah, mãe do garoto, teve uma ideia genial: por que não personalizar o aparelho, tornando o que é tido como esquisito em algo legal?
 
O Filho de Sarah Ivermee, Freddie, foi diagnosticado com surdez profunda e perda da audição quando tinha 3 meses de idade. Em 2014, recebeu implantes cocleares.

Usando pequenos adesivos, Sarah começou a enfeitar os aparelhos das crianças com motivos de heróis e personagens dos desenhos animados. O sucesso foi tanto que ela abriu uma empresa, a Lugs, e hoje envia desenhos para aparelhos auditivos a crianças de todas as partes do mundo. Afinal, quem não quer ter o Batman, o Woody do Toy Story ou as Tartarugas Ninjas na orelha? Confira o resultado:
 

Em 2014, Ivermee, começou a fabricar aparelhos auditivos a pedido de uma empresa que vende a baixo custo.

Ela espera que os seus desenhos incentivem as crianças a usar os seus aparelhos auditivos com orgulho. Seus modelos incluem angry birds, Batman, borboletas, Arcos, hello kitty e mais. Ivermee também pretende adicionar uma linha só para ocasiões especiais.

A empresa está atraindo a atenção de pessoas de outros lugares do mundo. Ivermee disse que lhe surpreendeu positivamente quando seus primeiros cinco pedidos vieram dos Estados Unidos.


 

 

Conheça o primeiro hotel do mundo atendido e gerenciado por jovens com Síndrome de Down

Quais são os pontos que você analisa antes de escolher um hotel para se hospedar? O tamanho dos quartos, as comodidades oferecidas, a quantidade de estrelas, o preço… Mas outras questões também são bastante importantes e já pesam na hora da escolha para muitas pessoas: a inclusão social é uma delas. E um hotel localizado na província de Asti, na Itália, é uma ótima escolha nesse sentido.

Com o nome de Albergo Etichttp://www.albergoetico.asti.it/o, o espaço é atendido exclusivamente por jovens com Síndrome de Down. A Associação Albergo Etico é responsável pela inserção de pessoas com a síndrome no mercado de trabalho desde 2006. O objetivo é ajudá-los a conquistar autonomia, aprendendo a viver sozinhos, gestionar suas contas e trabalhar em grupo.
 
A inauguração do espaço, que conta com três estrelas, ocorreu no dia 18 de junho deste ano. Os visitantes que passarem por lá poderão desfrutar de 26 quartos com um total de 60 camas, além de um restaurante com capacidade para 50 pessoas, um belo jardim e até um espaço de coworking aberto para clientes e moradores da cidade.
O projeto surgiu depois que Nicolás, um menino com Síndrome de Down, realizou um estágio no restaurante Tacabanda, em Asti. A experiência transformou a vida do jovem e dos seus companheiros no lar especial em que vivia e deu origem à ideia de abrir cada vez mais espaço a jovens que convivem com a síndrome.
 
HotelAsti_extra
 
 
fonte:  Hypeness http://www.hypeness.com.br/
 

11 julho, 2015

Palestra Comunicação Social Háptica para pessoas com Surdocegueira Adquirida


Pesquisadores testam vírus e tentam reverter formas de surdez genética

Pesquisadores testam vírus e tentam reverter formas de surdez genética

Surdez Genética – Nova terapia, testada com sucesso em camundongos, pode estar disponível dentro de dez anos.

Cientistas dos Estados Unidos e da Suíça afirmam que conseguiram reverter alguns tipos de surdez em cobaias com o uso de um vírus. Problemas no DNA são responsáveis por cerca de metade dos casos de perda de audição na infância.
O estudo com camundongos foi publicado na revista especializada “Science Translational Medicine” e mostrou que um vírus pode corrigir o problema genético e restaurar parte da audição.
Segundo os especialistas, os resultados poderão levar à disponibilização de um tratamento dentro de dez anos. A pesquisa se concentrou em analisar os pelos minúsculos dentro do ouvido, que convertem os sons em sinais elétricos que podem ser interpretados pelo cérebro.
Mas mutações no DNA podem fazer com que estes pelos não consigam criar o sinal elétrico, o que leva à surdez.
A equipe de pesquisadores desenvolveu um vírus geneticamente modificado que pode infectar as células dos pelos do ouvido e corrigir este erro.
Injeções
A nova terapia foi testada em camundongos que sofriam de “surdez profunda”, que não escutariam nada nem mesmo estando em meio a um barulhento show de rock, com níveis de som chegando aos 115 decibéis.
Injeções do vírus modificado nos ouvidos levaram a uma “melhora considerável” na audição, apesar de não ter restaurado aos níveis normais.
Depois do tratamento, os animais conseguiam ouvir o equivalente de ruído dentro de um carro em movimento, ou cerca de 85 decibéis.
Eles também apresentaram alteração no comportamento em resposta a sons durante o período de 60 dias do estudo.
“Estamos muito animados, mas também estamos com um otimismo cauteloso, pois não queremos dar esperanças falsas. Seria prematuro dizer que encontramos uma cura”, disse à BBC Jeffrey Holt, um dos pesquisadores participantes do estudo e que trabalha no Hospital Infantil de Boston, nos Estados Unidos.
“Mas em um futuro não tão distante poderia se transformar em um tratamento para a surdez genética. Então, esta é uma descoberta importante”, acrescentou.
A equipe afirmou que a pesquisa ainda não está pronta para o início de testes clínicos em humanos. Eles querem provar que o efeito é duradouro. Por enquanto, sabem que a terapia funciona por alguns meses, mas o objetivo é que o tratamento funcione para a vida toda do paciente.
Genes diferentes
Surdez Genética
Terapia não corrige problemas de audição causados por música alta ou outros ruídos (Foto: Thinkstock/BBC)
O estudo conseguiu corrigir uma mutação em um gene chamado TMC 1, que é o responsável por cerca de 6% dos casos de surdez hereditários.
No entanto, existem mais de cem genes separados que já foram ligados à surdez.
“Posso prever pacientes com surdez tendo seus genomas sequenciados e um medicamento personalizado e preciso injetado em seus ouvidos para restaurar a audição”, disse Holt.
O tratamento visa apenas ajudar as pessoas com surdez causada por problemas nos genes e não os adultos que sofrem de surdez decorrente de ouvir música alta.
Para Tobias Moser, do Centro Médico da Universidade de Gottingen, na Alemanha, os resultados da pesquisa são “promissores”.
Moser afirma que o estudo dá “esperança de que a restauração da audição será disponível para algumas formas de surdez na próxima década”.
“Acho que esta pesquisa representa um avanço muito animador em nossa compreensão do que pode ser alcançado usando a abordagem de transferência de genes no ouvido interno para reduzir o impacto de mutações danosas”, afimou Karen Steel, cientista britânica do King’s College de Londres.
“No momento, a função (audição) é resgatada apenas em parte, mas é um começo e provavelmente a metodologia poderia ser desenvolvida para melhorar o resultado”, acrescentou.
Fonte: G1

08 julho, 2015

Resumo da Lei Brasileira da Inclusão



A Presidência da República sancionou, nesta segunda, 6 de julho de 2015, a Lei Brasileira de Inclusão. A aprovação dessa lei fortalece o segmento das pessoas com deficiência e se soma a outras leis de igual importância como a Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e a Lei de Cotas, que reserva postos de trabalho às pessoas com deficiência. No dia 24 de julho, a Lei de Cotas completa 24 anos de existência (8213/91) e a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo fará dupla comemoração: o aniversário da Lei de Cotas e a sanção da Lei Brasileira de Inclusão.

A aprovação da Lei Brasileira de Inclusão atende a reivindicações antigas. Nasceu equivocadamente como “Estatuto da Pessoa Deficiente”, em 2003, por autoria do então deputado Paulo Paim. Após passar por várias revisões, estudos e modificações, capitaneadas pela deputada federal Mara Gabrilli, chegou-se a uma versão que caminha na linha da Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, cujo teor é voltado ao protagonismo, cidadania e inclusão social. O Estatuto transformou-se na Lei Brasileira de Inclusão, também chamada pela sigla LBI. Passará a valer em 180 dias após sua sanção, ou seja, a partir de janeiro de 2016.

Entre as várias mudanças importantes, a LBI aprova o AUXÍLIO INCLUSÃO para trabalhadores com deficiência que exerçam atividade remunerada. Entre as novas conquistas destacam-se, ainda: o trabalhador com deficiência poderá utilizar o FGTS para aquisição de órteses e próteses e, também, haverá proibição aos planos de saúde de praticarem qualquer tipo de discriminação em razão de sua deficiência.

Na Educação: haverá proibição às instituições de ensino para que não cobrem mais de alunos com deficiência; reserva de 10% das vagas em instituições de ensino superior ou técnico; e obriga o poder público a fomentar a publicação de livros acessíveis pelas editoras.

No campo da Mobilidade: reserva de 2% das vagas em estacionamentos; 5% dos carros de autoescolas e de locadoras de automóveis deverão ser adaptados para motoristas com deficiência.

A LBI também traz novidades no campo da Moradia: reserva de 3% de unidades habitacionais em programas públicos ou subsidiados com recursos públicos. Na Cultura: teatros, cinemas, auditórios e estádios passam a ser obrigados a reservar espaços e assentos adaptados. O campo do Turismo também é contemplado: cota de 10% de dormitórios acessíveis em hotéis.

No Esporte, a Lei Brasileira de Inclusão estabelece 2,7% da arrecadação das loterias federais para o esporte. Hoje esse percentual é de 2%. Dessa parte a ser destinada ao esporte, a LBI prevê que 37,04% devem ser repassados ao Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) e 62,96% ao Comitê Olímpico (COB). Atualmente o CPB fica com a fatia de 15% e o COB, 85%.

A lei vai afetar diretamente o dia a dia das pessoas com deficiência: boletos, contas, extratos e cobranças deverão ser em formato acessível; elas terão o direito de participar da política ativamente, com a garantia do direito de votar e ser votada, em igualdade de oportunidades. Também permite que pessoas com deficiência intelectual casem legalmente ou formem união estável, entre várias outras garantias de direitos.

07 julho, 2015

TECNOLOGIA ASSISTIVA – TA

As tecnologias assistivas estão aí  para ajudar e dar mais autonomia para pessoas com deficiências. Ainda com alto custo e pouco acessível à todos, são fundamentais para a reabilitação e para a inclusão da pessoa com deficiência.
Este post tem por objetivo apresentar o conceito, o objetivo, a composição de TA e as terminologias adotadas, sobretudo nos setores acadêmico, político e educacional, para se referirem a TA.

 Conceito e objetivo da TA
Tecnologia assistiva – TA é um termo ainda pouco conhecido, utilizado para identificar todo o arsenal de recursos e serviços que contribuem para proporcionar ou ampliar habilidades funcionais de pessoas com deficiência e, conseqüentemente, promover vida independente e inclusão.
Em sentido amplo, a evolução tecnológica caminha na direção de tornar a vida mais fácil. Sem nos apercebermos, utilizamos constantemente ferramentas que foram especialmente desenvolvidas para favorecer e simplificar as atividades do cotidiano, como os talheres, canetas, computadores, controle remoto, automóveis, telefones celulares, relógio, enfim, uma interminável lista de recursos que já estão assimilados a nossa rotina e facilitam o desempenho de funções ou tarefas.
Assim, é simples constatar que a tecnologia facilita a vida das pessoas.
Em se tratando de uma pessoa com deficiência, a tecnologia se apresenta não só para facilitar, mas para tornar possível a realização de uma ação necessária ou desejada. Por meio da tecnologia, uma pessoa com deficiência tem possibilidades de mobilidade, controle de ambiente, acesso ao computador, comunicação, realização de tarefas do cotidiano, entre outras atividades.
Cook e Hussey (1995) definem a TA, com base no conceito do American with Disabilities Act – ADA , como uma ampla gama de equipamentos, serviços, estratégias e práticas concebidas e aplicadas para melhorar os problemas funcionais encontrados pelos indivíduos com deficiências.
A TA deve ser, então, entendida como um auxílio que promoverá a ampliação de uma habilidade funcional deficitária, ou possibilitará a realização da função desejada e que se encontra impedida por circunstância de deficiência ou pelo envelhecimento. Podemos dizer que o objetivo maior da TA é proporcionar à pessoa com deficiência a autonomia, independência funcional, qualidade de vida e inclusão social.
A legislação brasileira também apresenta a terminologia Ajudas Técnicas para referir-se ao que atualmente denominamos Tecnologia Assistiva.

O Decreto 3.298 de 19994, no artigo 19, define o conceito de ajudas técnicas:
Art. 19. Consideram-se ajudas técnicas, para os efeitos deste Decreto, os elementos que permitem compensar uma ou mais limitações funcionais motoras, sensoriais ou mentais da pessoa portadora de deficiência, com o objetivo de permitir-lhe superar as barreiras da comunicação e da mobilidade e de possibilitar sua plena inclusão social. (BRASIL, 1999)
No parágrafo único, do artigo 19, o texto relaciona, de forma clara, a seguinte lista de ajudas técnicas apresentadas como itens de direito:
Parágrafo único. São ajudas técnicas:
I - próteses auditivas, visuais e físicas;
II - órteses que favoreçam a adequação funcional;
III - equipamentos e elementos necessários à terapia e reabilitação da pessoa portadora de deficiência;
IV - equipamentos, maquinarias e utensílios de trabalho especialmente desenhados ou adaptados para uso por pessoa portadora de deficiência;
V - elementos de mobilidade, cuidado e higiene pessoal necessários para facilitar a autonomia e a segurança da pessoa portadora de deficiência;
VI - elementos especiais para facilitar a comunicação, a informação e a sinalização para pessoa portadora de deficiência;
VII - equipamentos e material pedagógico especial para educação, capacitação e recreação da pessoa portadora de deficiência;
VIII - adaptações ambientais e outras que garantam o acesso, a melhoria funcional e a autonomia pessoal; e
IX - bolsas coletoras para os portadores de ostomia. (BRASIL, 1999)
Também o Decreto 5.296 de 20045, que regulamenta as Leis nos 10.048/2000 e 10.098/ 2000, trata, em seu Capítulo VII, das ajudas técnicas, onde descreve várias intenções governamentais, além de referir à instituição do Comitê de Ajudas Técnicas. No artigo 61, o Decreto define o conceito de ajudas técnicas:
Art. 61. Para os fins deste Decreto, consideram-se ajudas técnicas os produtos, instrumentos, equipamentos ou tecnologia adaptados ou especialmente projetados para melhorar a funcionalidade da pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida, favorecendo a autonomia pessoal, total ou assistida. (BRASIL, 2004)
Em 16 de novembro de 2006, por meio da Portaria nº 142, a Secretaria Especial dos Direitos Humanos – SEDH, da Presidência da República, instituiu o Comitê de Ajudas Técnicas – CAT. Este Comitê reúne um grupo de especialistas brasileiros em Tecnologia Assistiva e representantes de órgãos governamentais em uma agenda de trabalho. Os objetivos da CAT são: apresentar propostas de políticas governamentais e parcerias entre a sociedade civil e órgãos públicos referentes à área de tecnologia assistiva; estruturar as diretrizes da área de conhecimento e realizar levantamento dos recursos humanos que atualmente trabalham com o tema; detectar os centros regionais de referência, objetivando a formação de rede nacional integrada; estimular nas esferas federal, estadual, municipal, a criação de centros de referência; propor a criação de cursos na área de tecnologia assistiva, bem como o desenvolvimento de outras ações com o objetivo de formar recursos humanos qualificados e propor a elaboração de estudos e pesquisas, relacionados com o tema da tecnologia assistiva. (BRASIL, 2007)
O CAT, após realizar um estudo do referencial teórico atual, definiu e aprovou, em 14 de dezembro de 2007, o seu conceito de tecnologia assistiva:

Tecnologia Assistiva é uma área do conhecimento, de característica interdisciplinar, que engloba produtos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que objetivam promover a funcionalidade, relacionada à atividade e participação, de pessoas com deficiência, incapacidades ou mobilidade reduzida, visando sua autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social. (BRASIL, 2007)

Terminologia aplicada no Brasil
Existem muito termos para designar a TA, como, também, vários conceitos que diferem, eventualmente, na amplitude, restringindo-se à equipamentos ou englobando serviços e práticas favoráveis ao desenvolvimento de habilidades funcionais de pessoas com deficiência. Os termos mais frequentemente utilizados são: Ajudas Técnicas, Tecnologia de Apoio, Tecnologia Assistiva.
Com o objetivo de buscar uma uniformidade de terminologia em nosso país, o Comitê de Ajudas Técnicas da Secretaria dos Direitos Humanos – CAT/SEDH fez uma pesquisa internacional e nacional e constatou, em agosto de 2007, que o termo tecnologia assistiva é o mais adequado para a terminologia aplicada no Brasil. Desta forma, o CAT/SEDH adotará o termo tecnologia assistiva em todos os seus documentos e recomenda que este termo seja utilizado na formação de recursos humanos, nas pesquisas e nos referenciais teóricos brasileiros.
Uma das justificativas da aprovação do nome tecnologia assistiva pelo CAT/SEDH se deu pela preferência nacional do termo firmada no meio acadêmico, nas organizações de pessoas com deficiência, em setores governamentais, institutos de pesquisas e no mercado nacional de produtos. Outro ponto relevante foi à percepção que não existe um consenso internacional para terminologia. Julgou-se também que o termo tecnologia assistiva seria o mais apropriado para atender o objetivo do CAT/SEDH de propor a estruturação de diretrizes para a formulação de uma área de conhecimento. Houve ainda a recomendação de utilização do termo no singular, por se tratar de área de conhecimento.
Como o termo ajudas técnicas ainda consta na legislação brasileira, recomendou-se identificar as duas expressões, Ajudas Técnicas e Tecnologia Assistiva, como sinônimas e proceder a encaminhamentos possíveis para revisão de nomenclatura em instrumentos legais.

Composição da TA
O texto do American with Disabilities Act – ADA trata da TA como composta de Recursos e Serviços, assim definida:
Recursos: todo e qualquer item, equipamento ou parte dele, produto ou sistema fabricado em série ou sob-medida utilizado para aumentar, manter ou melhorar as capacidades funcionais das pessoas com deficiência.
Serviços: aqueles que auxiliam diretamente uma pessoa com deficiência a selecionar, comprar ou usar os recursos acima definidos. (Public Law 100-407- EUA)
É importante ressaltar que tanto no conceito como na composição da TA, encontramos os termos “Recursos” e “Serviços”. Então, objetivando ampliar as atividades funcionais de uma pessoa com deficiência, coloca-se a sua disposição um recurso facilitador, um instrumento ou utensílio que, especificamente, contribui no desempenho da tarefa desejada.
Os serviços de TA auxiliam o usuário na seleção ou confecção do recurso apropriado, na elaboração de estratégias para um bom desempenho funcional e na orientação e ensino de utilização do recurso na tarefa pretendida. Para este fim, realiza a avaliação das habilidades e necessidades do usuário, do contexto em que está ou deseja estar inserido e, com estes dados, trabalha junto com ele (o usuário) no sentido da promoção de autonomia, independência e inclusão.
O documento proposto no Empowering Users Through Assistive Technology – EUSTAT, elaborado por uma comissão de Instituições especializadas em TA em países da União Européia, traz incorporado ao conceito de TA as varias ações em favor da funcionalidade das pessoas com deficiência, afirmando:
...em primeiro lugar, o termo tecnologia não indica apenas objetos físicos, como dispositivos ou equipamento, mas antes se refere mais genericamente a produtos, contextos organizacionais ou modos de agir, que encerram uma série de princípios e componentes técnicos. (EUROPEAN COMMISSION – DGXIII, 1998)
O conceito brasileiro do CAT procurou dar uma grande abrangência ao tema da TA, incorporando a ele “tudo o que se refere a produtos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que visam à ampliação da funcionalidade e participação de pessoas com deficiência”. (BRASIL 2007).
A composição da TA engloba, portanto, não só artefatos ou instrumentos físicos, mas todas as ações implicadas, estratégias e metodologias, que possam contribuir para a ampliação da participação ativa e autônoma da pessoa com deficiência. Neste sentido, os Serviços de TA devem disponibilizar conhecimentos para que seus usuários possam apresentar suas demandas funcionais e tomar a decisão sobre a melhor tecnologia que os apoiará na resolução dos problemas.

Classificação em categorias da TA
Existem documentos internacionais que organizam a TA em categorias de acordo com os objetivos funcionais a que se destinam.
A Norma Internacional ISO 9999:2002, aplicada em vários países, traz uma classificação de recursos designada para os produtos e ferramentas da TA. Essa classificação é organizada em 11 classes e não abrange os serviços da TA.
O Sistema Nacional de Classificação dos Recursos e Serviços de TA, formulado pelo National Institute on Disability and Rehabilitation Research Office of Special Education Programs (U.S. Department of Education, 2000), diferencia-se da ISO 9999 ao apresentar, além da descrição ordenada dos produtos, o conceito e a descrição de serviços de TA.
O modelo HEART (Horizontal European Activities in Rehabilitation Technology) de classificação de TA, elaborado por um grupo de pesquisadores de vários países da União Européia, é referido no documento do consórcio EUSTAT (Empowering Users Through Assistive Technology). Este modelo de classificação é considerado, pelos pesquisadores europeus, como sendo o mais apropriado para a formação dos usuários finais em TA, bem como para formação de recursos humanos nesta área. (EUROPEAN COMMISSION – DGXIII, 1998)
Ao apresentarmos uma classificação de TA, seguida de redefinições por categorias, destacamos que a sua importância está no fato de ela organizar a utilização, prescrição, estudo e pesquisa destes recursos e serviços, além de oferecer ao mercado focos específicos de trabalho e especialização.
No entanto, a classificação em TA varia de acordo com os diferentes autores e serviços.8 Desta forma, não é nosso propósito apresentar uma classificação oficial e definitiva.
A classificação que segue tem uma finalidade didática e foi construída com o objetivo de esclarecer os profissionais da escola e orientar o trabalho do professor do atendimento educacional especializado.

Auxílios para a vida diária e vida prática
Auxílios para a vida diária e vida prática é uma categoria da TA que se refere aos materiais e produtos que facilitam o desempenho funcional de pessoas com deficiência em tarefas da vida cotidiana, tais como: vestir-se, alimentar-se, cozinhar, tomar banho.
São exemplos de materiais e produtos os talheres modificados, utensílios domésticos que favorecem o preparo do alimento, roupas desenhadas para facilitar o vestir e o despir, abotoadores, entre outros.9
No contexto educacional, visando à inclusão dos alunos com deficiência, encontramos vários recursos que favorecem tarefas do cotidiano escolar como escrever, apagar, manejar cadernos e livros, pintar, recortar, colar. Além do material escolar acessível ou adequado a condição do aluno, podemos criar jogos e atividades pedagógicas acessíveis e que valorizam as habilidades dos alunos.
São exemplos de materiais escolares os engrossadores de lápis e canetas, as tesouras acessíveis, letras imantadas ou emborrachadas para escrita do aluno com deficiência física, entre outros. Vários recursos podem ser feitos com material de baixo custo ou sucatas.


Descrição da figura 1: três fotos de utensílios de auxílio à alimentação e ao preparo de alimentos: 1. Um garfo com faixa em velcro no cabo para fixação da mão. 2. Um prato de comida com anteparo plástico na borda para evitar que a comida caia do prato. 3. um fatiador de pão que fixa o pão para que a ação de cortar aconteça com uma única mão. A faca do fatiador possui uma alça plástica que facilita a preensão.
Figura 1 – Recursos de auxílio à alimentação e ao preparo de alimentos.


Descrição da figura 2: três fotos de utensílios que facilitam o vestuário: 1. Um abotoador confeccionado com uma bola de borracha e um arame que passa pela casa de botões para prender e passar o botão. 2. Uma jaqueta com zíper com uma argola grande na ponta, para facilitar a preensão e o fechamento /abertura. 3. Cadarços em forma de mola elástica que evitam dar o laço.

 
Descrição da figura 3: seis fotos de materiais escolares que sofreram modificações para facilitar o manejo por alunos com dificuldades físicas: 1. Figura de uma mão com uma órtese em arame revestido em tubo plástico que envolve os dedos indicador e polegar e ao mesmo tempo fixa o lápis durante a escrita. 2. Figura de uma mão escrevendo com um lápis que perpassa o furo de uma borracha em EVA, engrossando o lápis para facilitar a preensão e escrita. Nesta mesma figura, existe uma pulseira imantada no pulso de quem está escrevendo que aderindo a uma base metálica limita seus movimentos involuntários. 3. Uma órtese feita de arame e espuma, revestida de tecido que tem uma caneta acoplada. A figura apresenta outros materiais como um pincel, um giz de cera e um talher que podem ser acoplado a esta órtese. 4. Uma tesoura ajustada com um arame, revestido de um cano de borracha, ligado às duas extremidades onde normalmente ela é segurada. O arame mantém a tesoura sempre aberta e para utilizá-la o aluno deve segurar a alça de arame e executar o movimento de fechar a mão. 5. Figura com lápis, pincel, tubo de cola e trena para pintura que estão revestidos e engrossados com rolos de espuma para que a preensão seja facilitada. 6. Um lápis introduzido em uma bola de borracha, originalmente, utilizada para sucção de leite materno. Esta adequação facilita o aluno a segurar o lápis para escrita e desenho.



Descrição da figura 4: três fotos de materiais pedagógicos: 1. Um painel com figuras variadas impressas em pequenas peças de madeira e cartões com palavras correspondentes às figuras. Tanto as peças de madeira quanto os cartões estão fixados no painel, feito de tecido, por meio de velcro. 2. Uma atividade matemática feita em tabuleiro de cartolina, tendo números e figuras colados dentro de tampinhas de leite, com o objetivo de correlacionar quantidade e número. 3. Um alfabeto móvel, em peças de madeira, forma a palavra BOLA. As peças são fixadas em uma tira de velcro que está colada em uma base feita de papel cartão.



Recursos de acessibilidade ao computador
O conhecimento e a aplicação da TA permitem que qualquer pessoa, independente de sua condição físico/funcional, tenha, por meio do computador, acesso à informação e a possibilidade de comunicar-se. A interface gráfica e os dispositivos de entrada e saída do computador são ferramentas valiosas que auxiliam as pessoas com deficiência em suas atividades escolares e de trabalho.
Hardwares e softwares específicos ou adequações simples e de baixo custo possibilitam que uma pessoa com deficiência utilize o computador com autonomia.
Em casos de fraqueza muscular, dificuldades de visão, falta de coordenação motora ou movimentação involuntária ou a impossibilidade de utilizar as mãos que dificultam ou impedem o acesso ao teclado, existem recursos que substituem o teclado convencional por teclados expandidos16 ou reduzidos, colmeias, teclados programáveis e teclados virtuais e com varredura; dependendo da situação do usuário. Da mesma forma, o mouse convencional pode ser substituído por acionadores diversos ou software que controla o computador por comando de voz, entre outros.
Pessoas com cegueira ou com baixa visão podem utilizar dispositivos de saída como os programas de leitores de tela, a impressora Braille, a linha Braille, o software que faz o efeito lupa ou que utiliza cores contrastantes no monitor. Um computador com um software de OCR e síntese de voz instalado, conectado a um escâner e com placa e caixas de som, pode ler textos e livros impressos. Basta colocar o texto impresso no escâner e pressionar um botão para, após alguns segundos, o computador iniciar a leitura. Essa leitura pode ser transformada em arquivo de som tipo MP3, reproduzido em tocadores portáteis. Exemplos de programas que desempenham esta função são o Kurzweil e Open Book. O mercado dispõe, também, do leitor autônomo que é um equipamento, em formato de um escâner, que transforma o texto impresso em voz ou pode ser acessado no display ou linha Braille, promovendo acessibilidade, também, para as pessoas com surdocegueira.
No caso de pessoas com surdez, há softwares que transformam alguns sinais audíveis em informações visuais na tela do computador e sites destinados aos dicionários da Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS que apresentam texto e imagem (gráfico, clipes animados e vídeo). Softwares educacionais específicos também foram desenvolvidos para a educação de alunos com surdez.
Para quem utiliza o sistema operacional Windows, cabe referir às opções de acessibilidade nele contidas e que podem ser acessadas no painel de controle do computador. Um teclado virtual com três opções de “formas de acesso” está disponível e com ele é possível produzir o texto apenas batendo em uma tecla (barra de espaço) do teclado.

Sites com programas de TA gratuitos são disponibilizados pela Internet.

Descrição da figura 7: duas fotos de alunos utilizando um teclado especial. 1. Aluno com um teclado grande, sua área de trabalho é programável e também é possível o ajuste de sensibilidade ao toque para que movimentos involuntários sejam filtrados evitando-se erros de digitação. O aluno utiliza uma interface de trabalho para digitação, as letras são grandes e há contraste entre letras pretas e fundo amarelo. 2. Outro aluno, com um teclado com as mesmas características do aluno da primeira foto, trabalha numa interface construída para atividade de matemática com as quatro operações e imagens de blocos de base 10.


Descrição da figura 8 – duas fotos de acessórios que facilitam o acesso ao computador: 1. Uma órtese, feita de arame revestido de espuma e tecido, envolve o pulso do usuário e encaixa em seu dedo polegar. A digitação é realizada por uma ponteira de borracha fixada na órtese. 2. Na segunda foto, está um grupo de acionadores de diferentes formas e tamanhos.



 Sistemas de controle de ambiente

Por meio de um controle remoto, as pessoas com limitações motoras, podem ligar, desligar e ajustar aparelhos eletro-eletrônicos como a luz, o som, os televisores, os ventiladores; executar a abertura e fechamento de portas e janelas; receber e fazer chamadas telefônicas; acionar sistemas de segurança, entre outros comandos, localizados em seu quarto, sala, escritório, casa e arredores.

Descrição da figura 9: desenho representativo de uma casa automatizada. Aparece uma pessoa em cadeira de rodas que possui em sua mão um controle remoto. Com este controle, ela é capaz de ativar ou desligar várias ações em sua residência: abrir/fechar janelas e portas, controlar aparelho de som, TV, ventilador, ar condicionado, luzes, telefone.


 
Projetos arquitetônicos para acessibilidade
Esta modalidade da TA tem por objetivo garantir que os ambientes sejam acessíveis a todos e, para isso, analisa suas condições e propõe um projeto de edificação ou de reforma que atende as diferenças humanas, eliminando as barreiras físicas. Para o desenvolvimento destes projetos arquitetônicos, é preciso um conhecimento das necessidades específicas de cada tipo de deficiência: motora, sensorial, cognitiva ou múltipla.
O Decreto nº 5.296/2004 estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida e a Norma Brasileira Técnica – ABNT NBR9050 estabelece critérios e parâmetros técnicos a serem observados quando do
projeto, construção, instalação e adequação de edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos às condições de acessibilidade.

Órteses e próteses
As próteses são peças artificiais que substituem partes ausentes do corpo. As órteses são recursos colocados junto a um segmento do corpo, garantindo-lhe um melhor posicionamento, estabilização e/ou função.
As próteses e órteses são, geralmente, confeccionadas sob medida e servem no auxílio de mobilidade, de funções manuais (escrita, digitação, utilização de talheres, manejo de objetos para higiene pessoal), correção postural, entre outros.
Descrição da figura 10: usuário desenhando com uma órtese, feita de arame e revestida com tubo de borracha que envolve a sua mão e o dedo polegar. Um lápis de cor está fixado na órtese.

 
Adequação Postural
Ter uma postura estável e confortável é fundamental para que uma pessoa consiga um bom desempenho funcional. Fica difícil a realização de qualquer tarefa quando se está inseguro com relação a possíveis quedas ou sentindo desconforto. Desse modo, um projeto de adequação postural diz respeito à seleção de recursos que garantam posturas alinhadas, estáveis e com boa distribuição do peso corporal.
Usuários de cadeiras de rodas, que passam grande parte do dia em uma mesma posição, são atendidos em suas necessidades de conforto e estabilidade quando há a prescrição de sistemas especiais de assentos e encostos que levem em consideração suas medidas, peso e flexibilidade ou alterações musculares e esqueléticas existentes.
Descrição da figura 11: duas fotos que demonstram poltronas posturais colocadas e fixadas sobre uma cadeira convencional de escola. 1.Uma poltrona que possui acessórios de apoio de pés regulável, almofadas para controle e apoio lateral de tronco e pernas, almofada fixada entre as pernas, cinto para estabilização do tronco e apoio de cabeça. 2. Uma criança que possui deficiência física sentada em sua poltrona postural junto a mesa de atividades.

 
Auxílios de mobilidade
A mobilidade pode ser auxiliada por bengalas, muletas, andadores, carrinhos, cadeiras de rodas manuais ou motorizadas, scooters e qualquer outro veículo, equipamento ou estratégia utilizada na melhoria da mobilidade pessoal.
Descrição da figura 12: três fotos que demonstram modelos de cadeiras de rodas: 1. Cadeira de rodas motorizada. 2. Cadeira de rodas infantil com módulos de assento e de encosto e acessórios para adequação postural. 3. Cadeira de rodas de adulto, com propulsão manual.


Auxílios para pessoas com cegueira ou com baixa visão
O auxílio para pessoas com cegueira ou com baixa visão podem ser encontrados nos equipamentos que visam à independência de seus usuários na realização de tarefas como: consultar o relógio, usar calculadora, verificar a temperatura do corpo, identificar se as luzes estão acesas ou apagadas, cozinhar, identificar cores e peças do vestuário, verificar pressão arterial, identificar chamadas telefônicas, escrever, entre outros. Inclui, também, auxílios ópticos: lentes, lupas e telelupas; softwares leitores de tela, leitores de texto, ampliadores de tela; hardwares como as impressoras Braille, lupas eletrônicas, linha Braille (dispositivo de saída do computador com agulhas táteis) e agendas eletrônicas.
Descrição da figura 13: recursos de tecnologia assistiva utilizados por pessoas com cegueira ou com baixa visão: um termômetro que fala, seis relógios que falam ou possuem pontos táteis para percepção da hora e um teclado que armazena o texto e reproduz em voz.


Auxílios para pessoas com surdez ou com deficiência auditiva
Nesta modalidade, estão incluídos recursos como: as próteses auditivas; equipamentos de amplificação de som via FM; telefones com teclado – teletipo (TTY); sistemas com alerta tátil-visual, sinalizando sons de campainhas; telefones; sirenes; despertador por vibração e telefone celular para recebimento e emissão de texto, entre outros.

Adequações em veículos
As adequações em veículos são visualizadas nos recursos que possibilitam uma pessoa com deficiência física dirigir um automóvel ou que facilitam o embarque e desembarque como elevadores para cadeiras de rodas (utilizados nos carros particulares ou de transporte coletivo). Há, também, exemplos de adequação em veículos em serviços de auto- escola para pessoas com deficiência.
Descrição da figura 14: micro-ônibus com elevador para cadeira de rodas.